Fratura da placa de crescimento em gatos filhotes
Lesões na placa de crescimento podem interromper o desenvolvimento normal do osso e causar encurtamento ou desvio do membro. O diagnóstico precoce ajuda a definir o tratamento mais adequado.

A fratura da placa de crescimento em gatos filhotes exige atenção porque atinge uma região responsável pelo alongamento dos ossos. Dependendo do local, do grau de deslocamento e da idade do animal, a lesão pode comprometer o crescimento e provocar encurtamento, desvio do membro ou alterações na articulação.
Nem toda fratura fisária resultará em deformidade, mas não é possível prever a evolução apenas observando o gato em casa. Filhotes também podem continuar apoiando a pata ou demonstrar sinais discretos mesmo quando existe uma lesão importante. Por isso, claudicação após queda, pisão, impacto ou outro trauma deve ser avaliada por um médico-veterinário.
O que é a fratura da placa de crescimento em gatos filhotes?
A placa de crescimento, também chamada de fise, é uma faixa de tecido cartilaginoso localizada próxima às extremidades dos ossos longos. Enquanto o gato está crescendo, novas células são formadas nessa região e, gradualmente, transformadas em tecido ósseo.
Por ser menos resistente que o osso já amadurecido, a fise pode ser um ponto vulnerável durante traumas. A fratura pode atravessar somente a placa de crescimento ou se estender para partes próximas do osso e da articulação. Essas lesões costumam ser classificadas conforme o trajeto da fratura, como ocorre na classificação de Salter-Harris, mas essa definição depende da avaliação radiográfica.
Após o término do crescimento, a fise se fecha e deixa de exercer essa função. Antes disso, qualquer dano significativo pode interferir no desenvolvimento normal do membro.
Por que o membro pode ficar torto ou mais curto?
A deformidade ocorre quando a placa lesionada reduz ou interrompe sua atividade antes do momento esperado. Se toda a fise parar de crescer, o osso afetado pode ficar mais curto. Quando apenas uma parte perde sua função, o restante continua crescendo e pode empurrar o osso para um dos lados, criando um desvio angular.
Alguns ossos do antebraço e da perna crescem em conjunto. Se um deles interrompe o crescimento enquanto o outro continua se alongando, podem surgir curvaturas, desalinhamento articular e alteração na distribuição do peso. Em fraturas que chegam à superfície da articulação, também existe risco de incongruência, limitação de movimento e desgaste articular futuro.
O risco não é igual em todos os casos. Ele varia de acordo com:
- a idade do gato e quanto crescimento ainda falta;
- o osso e a placa de crescimento atingidos;
- a extensão do dano à fise;
- o grau de deslocamento dos fragmentos;
- o envolvimento da articulação;
- a presença de feridas, contaminação ou outras lesões;
- o tempo transcorrido até o atendimento.
Mesmo com tratamento adequado, algumas placas podem sofrer fechamento precoce devido ao trauma inicial. O acompanhamento é importante justamente para reconhecer alterações enquanto ainda há possibilidade de intervenção.
Quais sinais o tutor pode perceber?
Os sinais variam conforme a região afetada e a gravidade da fratura. Os mais comuns incluem:
- mancar ou evitar apoiar uma das patas;
- dor ao toque ou ao tentar movimentar o membro;
- inchaço próximo a uma articulação;
- postura diferente da pata;
- redução das brincadeiras, saltos ou deslocamentos;
- irritabilidade, vocalização ou tendência a se esconder;
- deformidade visível nos casos mais deslocados.
Fraturas abertas, sangramento, membro em posição anormal, dor intensa ou incapacidade de apoio justificam atendimento imediato. Não tente alinhar a pata, massagear a região ou improvisar talas sem orientação, pois a manipulação pode aumentar a dor e agravar o deslocamento.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com o histórico do trauma e o exame ortopédico. O veterinário avalia dor, inchaço, estabilidade, alinhamento, circulação, sensibilidade e possíveis lesões em outras regiões. Em traumas de maior energia, a condição geral do filhote precisa ser estabilizada antes do tratamento ortopédico definitivo.
As radiografias são essenciais para localizar a fratura, observar o deslocamento e verificar se a articulação está envolvida. Como a placa de crescimento é naturalmente visível nos exames de animais jovens, a interpretação requer experiência. Em algumas situações, podem ser necessárias projeções adicionais, comparação com o membro oposto ou outros exames de imagem.
Radiografias de acompanhamento também podem ser recomendadas. Uma lesão fisária inicialmente discreta pode revelar sinais de fechamento precoce ou crescimento desigual ao longo do tempo.
Quando é necessário tratar?
Toda suspeita de fratura da placa de crescimento precisa de avaliação veterinária. A escolha entre manejo conservador e cirurgia depende das características da lesão, e não apenas do fato de o filhote ainda conseguir andar.
Fraturas estáveis, sem deslocamento relevante e fora da superfície articular podem, em casos selecionados, ser conduzidas com restrição rigorosa de atividade e algum método de suporte. Talas e imobilizações exigem indicação precisa e revisões frequentes, pois podem causar pressão sobre a pele, rigidez ou perda de alinhamento se forem mal ajustadas.
O tratamento cirúrgico tende a ser considerado quando há:
- deslocamento ou instabilidade dos fragmentos;
- desalinhamento do membro;
- envolvimento da superfície articular;
- fratura aberta;
- impossibilidade de manter a redução com imobilização;
- risco significativo de consolidação em posição inadequada.
Na cirurgia, o objetivo é restaurar o alinhamento e a congruência articular com o menor dano adicional possível à placa de crescimento. Pinos, parafusos ou outros implantes podem ser utilizados conforme o osso, o padrão da fratura e o tamanho do paciente. A técnica deve ser planejada individualmente por um veterinário com experiência em ortopedia.
Como filhotes apresentam crescimento e reparação óssea ativos, o momento do tratamento pode influenciar a facilidade de reposicionar os fragmentos. Isso não significa operar todos os casos, mas reforça que a avaliação não deve ser adiada.
Como é a recuperação e o acompanhamento?
Durante a recuperação, o gato deve permanecer em ambiente controlado, sem acesso a móveis altos, escadas ou brincadeiras intensas. O uso correto dos medicamentos prescritos e o retorno nas datas indicadas são fundamentais. Nunca ofereça analgésicos ou anti-inflamatórios humanos, pois alguns são tóxicos para gatos.
Os retornos permitem verificar a consolidação da fratura, a integridade da imobilização ou dos implantes e a retomada segura dos movimentos. Após a fase inicial, o veterinário pode indicar exercícios orientados ou reabilitação para recuperar mobilidade e massa muscular.
Em animais com crescimento remanescente, o acompanhamento pode continuar mesmo após a consolidação. A comparação entre os membros e novas radiografias ajudam a identificar encurtamento, desvio progressivo ou alteração articular. Caso uma deformidade se desenvolva, as opções dependem da intensidade, da função do membro e de quanto o gato ainda crescerá.
Quanto antes uma lesão fisária for reconhecida, melhores são as condições para planejar o alinhamento do membro e acompanhar possíveis alterações do crescimento.
Se o seu gato filhote começou a mancar após um trauma, procure avaliação veterinária. Somente o exame ortopédico e os exames de imagem podem confirmar a lesão e indicar se o caso requer repouso controlado, imobilização, cirurgia ou acompanhamento do crescimento.
Sobre o autor

Dr. Felipe Garofallo (Médico-veterinário (CRMV-SP 39.972)) — Especializado em ortopedia e neurologia veterinária. Atua exclusivamente no diagnóstico e tratamento de doenças musculoesqueléticas e neurológicas em cães e gatos, com foco em medicina baseada em evidências, cirurgia ortopédica e produção de conteúdo técnico para tutores e médicos-veterinários.
Para agendar uma consulta, entre em contato pelo WhatsApp (11) 91258-5102.
Seu pet está mancando ou sentindo dor?
Avaliação ortopédica especializada em Moema, com diagnóstico por imagem no mesmo dia.
Alameda dos Guaramomis, 1067 — Moema, São Paulo/SP
Agendar consulta