Fraturas em cães: sinais, tratamento e recuperação

Fraturas exigem atendimento veterinário rápido para aliviar a dor e evitar complicações. Entenda como reconhecer os sinais, transportar o cão com segurança e acompanhar o tratamento.

Dr. Felipe Garofallo · Médico-veterinário (CRMV-SP 39.972)07 de agosto de 20265 min de leitura
Cão em avaliação veterinária por suspeita de fratura na pata

Fraturas em cães acontecem quando um osso perde sua continuidade, geralmente após quedas, atropelamentos, brigas ou outros traumas. Além de causarem dor intensa, podem estar associadas a lesões nos músculos, articulações, nervos e órgãos internos. Por isso, mesmo quando o animal parece estável, é importante procurar atendimento veterinário o mais rápido possível.

Fraturas em cães: quais são as principais causas?

Acidentes automobilísticos estão entre as situações mais preocupantes, pois a força do impacto pode causar múltiplas lesões. Quedas, pisões acidentais, brincadeiras bruscas e saltos malsucedidos também podem provocar fraturas, especialmente em cães pequenos, filhotes ou animais com ossos fragilizados.

Algumas doenças podem diminuir a resistência óssea e favorecer uma fratura após um trauma aparentemente leve. Alterações metabólicas, infecções e tumores ósseos são exemplos de condições que precisam ser investigadas pelo veterinário. Nesses casos, a lesão é chamada de fratura patológica.

Em filhotes, existe atenção especial às placas de crescimento, regiões responsáveis pelo desenvolvimento dos ossos. Uma lesão nesses locais pode interferir no crescimento do membro e, por isso, requer avaliação ortopédica cuidadosa.

Como reconhecer uma possível fratura?

O sinal mais evidente costuma ser a dificuldade ou incapacidade de apoiar uma das patas. Entretanto, a intensidade dos sintomas varia conforme o osso afetado, o tipo de fratura e a presença de outras lesões.

Os sinais que merecem atenção incluem:

  • mancar de forma repentina após um trauma;
  • não apoiar o membro no chão;
  • dor ao toque ou ao tentar se movimentar;
  • inchaço, hematoma ou aumento de temperatura local;
  • posição anormal ou deformidade da pata;
  • chorar, ficar ofegante ou tentar morder quando é manipulado;
  • ferida com sangramento ou exposição do osso;
  • dificuldade para levantar, caminhar ou subir degraus;
  • apatia, tremores ou recusa de alimento.

Nem toda fratura provoca uma deformidade visível. Além disso, luxações, lesões ligamentares e traumas musculares podem causar sintomas semelhantes. Somente o exame veterinário e os métodos de imagem podem confirmar o diagnóstico.

O que fazer logo após o acidente?

Um cão com dor pode reagir de maneira inesperada, inclusive tentando morder. Aproxime-se com calma, evite movimentos bruscos e mantenha o animal em um ambiente seguro. Se houve atropelamento ou queda importante, considere a possibilidade de lesões internas mesmo que ele esteja consciente.

  1. Restrinja os movimentos: não deixe o cão caminhar ou testar a pata.
  2. Transporte com apoio: uma superfície firme, caixa de transporte ou cobertor usado como maca pode ajudar, conforme o porte do animal.
  3. Não tente alinhar o membro: manipular a região pode aumentar a dor e agravar danos aos tecidos.
  4. Proteja feridas abertas: cubra delicadamente o local com gaze ou pano limpo, sem empurrar o osso para dentro.
  5. Procure atendimento: entre em contato com uma clínica veterinária e siga as orientações para o transporte.

Não ofereça anti-inflamatórios ou analgésicos humanos. Alguns medicamentos podem ser tóxicos para cães, dificultar o atendimento ou aumentar riscos clínicos.

Também não é recomendado improvisar talas sem orientação profissional. Uma imobilização mal posicionada pode comprometer a circulação, pressionar a pele e deslocar ainda mais a fratura.

Como o diagnóstico é realizado?

O atendimento começa com a avaliação geral do paciente. Em traumas de alta energia, estabilizar respiração, circulação e outras funções vitais pode ser mais urgente do que tratar imediatamente o osso quebrado. O veterinário também procura sinais de sangramento, lesões torácicas, abdominais ou neurológicas.

Após o controle inicial da dor e a avaliação clínica, normalmente são realizadas radiografias em diferentes posições. Dependendo da localização e da complexidade da fratura, exames adicionais, como tomografia computadorizada, podem auxiliar no planejamento cirúrgico. Exames de sangue também podem ser solicitados para avaliar as condições gerais do cão antes de uma anestesia.

Quais são os tipos de tratamento?

A escolha depende do osso atingido, da idade e do porte do cão, do grau de deslocamento, da presença de feridas e do estado geral do paciente. O objetivo é proporcionar estabilidade suficiente para a consolidação, preservar o alinhamento do membro e favorecer o retorno confortável à função.

Tratamento conservador

Algumas fraturas estáveis e bem alinhadas podem ser tratadas com repouso rigoroso e imobilização externa, como tala ou gesso. Essa opção exige acompanhamento frequente, pois o curativo pode afrouxar, reter umidade ou provocar feridas por pressão. O tutor deve observar os dedos, o odor, a integridade da proteção e qualquer sinal de desconforto.

Tratamento cirúrgico

Fraturas instáveis, deslocadas, articulares ou expostas frequentemente precisam de estabilização cirúrgica. Placas, parafusos, pinos, fios ou fixadores externos podem ser utilizados. O implante e a técnica são definidos individualmente pelo cirurgião veterinário após analisar a lesão.

Fraturas expostas, nas quais há comunicação entre o osso e o ambiente por meio de uma ferida, apresentam maior risco de contaminação e precisam de atendimento imediato. Limpeza cirúrgica, antibióticos e estabilização podem fazer parte da abordagem, conforme a avaliação profissional.

Como é a recuperação?

O período de recuperação varia de acordo com o tipo de fratura, tratamento realizado, idade, saúde geral e resposta individual. O cão precisa seguir as restrições de atividade indicadas, mesmo que volte a apoiar a pata antes do previsto. Correr, pular ou brincar sem autorização pode sobrecarregar o osso em consolidação e os implantes.

Os cuidados podem incluir:

  • uso correto dos medicamentos prescritos;
  • repouso em espaço controlado;
  • passeios curtos na guia apenas quando liberados;
  • manutenção do curativo limpo e seco;
  • uso de colar protetor para evitar lambedura;
  • retornos clínicos e radiografias de acompanhamento;
  • controle do peso corporal;
  • reabilitação veterinária no momento adequado.

A fisioterapia pode auxiliar na mobilidade articular, no conforto e na recuperação muscular, mas deve ser iniciada somente com indicação do veterinário responsável. Exercícios feitos cedo demais ou sem supervisão podem prejudicar o tratamento.

Quando procurar uma clínica veterinária?

Qualquer suspeita de fratura deve ser avaliada. Procure atendimento de urgência diante de feridas abertas, sangramento, dificuldade respiratória, gengivas pálidas, perda de consciência, incapacidade de levantar ou dor intensa. Após o tratamento, informe a equipe se houver aumento do inchaço, secreção, mau cheiro, febre, dedos frios, perda de apetite ou piora da claudicação.

Com diagnóstico correto, estabilização adequada e acompanhamento ortopédico, é possível conduzir a recuperação de forma segura. Cada fratura possui características próprias; portanto, a avaliação presencial é indispensável para definir a melhor conduta para o seu cão.

Sobre o autor

Dr. Felipe Garofallo

Dr. Felipe Garofallo (Médico-veterinário (CRMV-SP 39.972)) — Especializado em ortopedia e neurologia veterinária. Atua exclusivamente no diagnóstico e tratamento de doenças musculoesqueléticas e neurológicas em cães e gatos, com foco em medicina baseada em evidências, cirurgia ortopédica e produção de conteúdo técnico para tutores e médicos-veterinários.

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